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    Reinventando

    Ele acordou e decidiu mudar. Isso mesmo, simplesmente mudar. Reinventar-se.

    Era uma madrugada chuvosa e fria, o som da chuva forte o acordou de um sonho. Bom ou ruim? Ele não pôde lembrar. Não conseguiu. Tentou fechar os olhos e dormir novamente, falhou. Perdendo-se em pensamentos pela noite adentro, quando a chuva cessou, resolveu mudar. Transformar. Ser outro. Não outro, outro. Ou talvez sim, outro mesmo.

    Ele é confuso e, sendo quem for, sempre será. Fechou os olhos e, finalmente, adormeceu. Torcendo para despertar renovado.



    Escrito por MASC às 12h11
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    O Homem Diferente

    A pedido do amor da minha vida.

     

    A primeira vez que eu o vi, não posso e jamais esquecerei. Tinha o olhar sério, duro e não me cumprimentou. Passou ao meu lado, no inicio de tudo, e pareceu que nem tinha me visto. Sem dúvidas, fui coberto de enorme vergonha e um pouquinho de indignação. Foi assim até que ele pudesse saber quem eu era, de eu onde havia saído e tudo o mais. Ele foi sisudo, de poucas palavras, até o dia em que tive a honra de ser chamado de seu filho. Nunca vou esquecer aquele momento. Meu corpo petrificou, meus órgãos não agiram e só meus ouvidos tinham vida. E ele disse: “Vem por aqui, meu filho”.

     

    Certa vez, ele vinha caminhando em nossa direção e deixou seu doce cair, com um sorriso de menino (moleque levado) brincou conosco e rimos. Rimos muito. Ele é assim, tem o poder de alegrar e de espalhar maravilhas aonde quer que esteja. Este homem que carrega a luz dos anjos é recluso e observador, mas tem a intensidade e verdade que nenhum outro ser humano jamais terá.

     

    Sobre ele eu tenho mil histórias, mil recordações. Nem sei por onde começar, nem sei se quero dividir isto com mais alguém.

     

    Recordo dos passos lentos que ele dava, de como caminhava devagar. Eu ria, é claro. Brincávamos sobre isso, afinal seu herdeiro não degenerou. Ele desfrutava tudo que a vida tinha a lhe dar. Cada respiração, cada palavra, cada olhar, cada gesto, cada passo (mesmo que lento) eram instantes únicos para ele. Nosso querido Snorlax assistiu muitos filmes. Como assistiu! Estávamos iniciando uma coleção (que adoramos) e ele aproveitou bastante. Um filme atrás do outro, sem distinção. Suspense, terror, drama, romance, comedia...Agora, se ele saísse do quarto e não desse pause, pode acreditar, o filme não estava agradando. Ah, e se só houvesse legenda ele reclamava conosco e ficávamos indignados. “Que isso, com legenda é muito melhor”, afirmávamos. Ele sabia o que era o melhor, sempre soube. Momentos, momentos.

     

    Com esta paixão por cinema, até sonhamos. Sonhamos alto e fomos em busca deste sonho. Mas foi melhor não. Valeu pelas diversões em busca de lojas. Meu nervosismo foi sendo aniquilado pelas graças daquele cara. Piadista, engraçado. Paizão!

    Mas como qualquer ser humano ele também tinha defeitos. Mas de nada importa. Por que diante de qualidades tão gigantes, seus defeitos são imperceptíveis. Só um detalhe, uma vírgula. Uma pequena pedra no caminho.

     

    Filho, irmão, primo, tio, cunhado, marido, PAI, padrasto, amigo...

     

    A grandiosidade deste homem é um fascínio para a humanidade. Nunca haverá nos céus e na terra um ser tão especial, bondoso, gentil e generoso. Hoje entendo a expressão “Deus sabe o que faz”. E sabe mesmo. Percebendo o ser humano extraordinário que habitava a terra, logo o levou só para Ele. Ah Deus, eu entendo. Entendo de verdade. Aonde mais tu encontrarias alguém como ele?

     

    Mesmo sendo o oposto de tudo em que eu acreditava, antes de o conhecer, tenho mais uma coisa a dizer: nele encontrei o pai que jamais tive. E, afirmo, não só uma imagem paternal. Não. Um pai de carne e osso, cheio dos sentimentos mais lindos e sinceros.

     

     

    Que me perdoe Chico Buarque, mas com passos lentos, caminhando bem devagar, este homem chegou mais longe do qualquer um de nós jamais vai chegar.

     

    Obrigado por tudo.

    Escrito por MASC às 14h46
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    Sua família me envergonha

    Você deve me perguntar o porque. Não, não pergunta, né? Você sabe o porque.

     

    Uma tia doente. Uma senhora nua e caída no chão. Não pôde levantar-se ou arrastar-se ao telefone. No corredor, próxima a porta do banheiro, a velha encontrava-se inerte. Soube que até um parente seu, aquele que você detesta, comoveu-se. Por que você o detesta mesmo? Ah, esqueça isso. Não é o ponto.

     

    Então, lá estava ela. Do lado de fora a prima da sua mãe, sobrinha da sua avó, tentava derrubar a porta. Entre um murro e outro, palavrões e ameaças. Ameaças estas que você mesmo me confidenciou. E a mulher lá, caída.

     

    Reunidas no portão da casa em que você mora, mãe e filha praguejavam. Remoendo histórias passadas, o que elas fazem de melhor, xingavam a velha e a chamavam de ruim. Uma mulher velha, ruim e que findará seus dias sozinha.

     

    Especularam, reclamaram e se entregaram. Porque ficou claro para mim o quanto são más estas mulheres. Como você me contou, a outro no telefone, também não parecia muito interessada na tia-avó, mas na fofoca. Ou, talvez quisesse arrancar qualquer peso da consciência e dormir em paz.

     

    Você, claro, não se apresentou. No quarto estava e lá ficou. Eu te entendo, querido amigo. Quanto mais longe você estiver, mas tempo viverá. Isso está límpido para mim, agora. Você tem os seus defeitos e são vários. Você deve admitir, mas esta sua família, meu deus! Nem sei o que dizer. Ou melhor, eu sei...Eu me envergonho por você. Envergonho-me de verdade.

     

    Revivendo todas as histórias que já me contaste, não sei dizer qual é a pior. Mas rir de uma senhora enferma, que devido à queda lhes lembrou uma outra velha ruim (elas que dizem, eu sei)...É, isso me parece bem cruel. 

    Escrito por MASC às 14h53
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    O Planeta em Mim

    Hoje fiquei vazio. Não quero falar, nem ouvir. Estou exausto, o sentimento de culpa é a Ásia inteira encima de mim. Frustração se confunde com sono e vice versa. Meu espírito está dolorido. Tenho continentes em guerra aqui dentro e partes de mim estão devastadas por ela. Não consigo manter meus olhos abertos e meu corpo implora alguns minutos, somente. Tá, eu me rendo.



    Escrito por MASC às 09h42
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    Anjo Adormecido

    Como é lindo este menino. O tempo não passa para ele. Será o eterno garotinho especial, carinhoso e único. Os cabelos, agora, espalham-se por minhas pernas. Olhos fechados, levemente adormecidos, com a mão tocando minha barriga. Seu corpo se estende pelo colchão, como ele é luminoso. Ele madureceu, mas não perdeu, e jamais perderá, a inocência. Sua luz inunda o quarto, me atinge e transforma. Ele é toda a minha esperança. Este homem que adormece sobre mim é o fogo que aquece a minha vida e a energia que me leva adiante.

    Escrito por MASC às 17h43
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    Meus Porquês

    Eu já não sei o que fazer comigo, to completamente perdido. Andando não sei pra onde, vivendo sei lá pra quê. Ou pior, o quê. Esta montanha russa de emoções não me faz bem. Despencar da nuvem mais alta e estacar-me no fundo do mar é algo muito fácil pra mim.

     

    Quero dizer mil coisas, fazer mais mil e é impossível. Agora, quero chorar e não consigo. Quero estar bem e não consigo. Viver é uma complicação diária. Ou talvez a complicação esteja em mim, talvez eu seja complicado. O que eu faço? Sinto que um dia desses não vou suportar mais.

     

    (Ela estar aqui é um erro do destino. Um puto deboche da vida.).

     

    Eu não tenho a força que ele tem. Muito menos a paciência. Não sei o que seria melhor: ele ser como eu, ou eu ser como ele. Acho que o melhor é ser lançado para bem longe daqui como uma bola de baseball. Ou de golfe, caindo em um buraco bem fundo e bem longe.

     

    Eu to deprimido, triste e envergonhado. Viver, para mim, tem sido cansativo e doloroso. Mas, ainda assim, tenho medo de morrer. Um medo absurdo, eu diria.

     

    Talvez seja daí que surge minha paixão por filmes. É a possibilidade de deliciar-me com uma vida que não é minha. Vendo lugares que não posso estar, admirando pessoas que nem sabem que existo. Pode ser daí, também, meu sonho de ser ator. Ser outro alguém, um personagem muito mais interessante que este que faço todos os dias. Há vinte e dois anos.

     

    Ainda não sei quem sou, ou o que sou e o que quero. Uma hora sou fulano, nas outras sicrano. Como estou perdido! Sigo ou volto? Subo ou desço? Vivo ou morro?

     

    Será que em todo ser habita esta angustia existencial? Será que há outros sem rumo por aí?

     

    Se existe mesmo vida passada, não consigo imaginar que mal eu cometi para estar aqui. Que crime, meu deus? Uma família que não me compreende e nem se esforça, não me ama como realmente sou. Um amor do qual não sou merecedor. Eu sei. Amigos que parecem tão próximos, mas estão a léguas.

     

    Estas lágrimas deveriam dar vida a um maremoto e me arrastar para uma ilha longe daqui.

    Escrito por MASC às 17h38
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    Do Everest ele escreveu uma carta

    E do topo do Everest aquele jovem estúpido escreveu...

    “Não sei por que faço estas coisas. Porque ajo assim, como um cara idiota e inconseqüente. Digo tantas coisas, estas que envergonham meu coração e o meu amor por você. Sei que depois de uma atitude como a minha, nem deveria me atrever a falar sobre amor. Deveria me lançar daqui de onde escrevo e libertar-te. Eu deveria ser forte, te proteger e não provocar-te lágrimas, dor. E é isso que faço. Acho que por não suportar a minha dor, tento dividi-la com você e isso não é justo. Você não merece. Logo você que me enche de paz, alimenta a minha alma com as maravilhas que o teu amor tem para me dá. Como sou burro. Eu te amo, sou corpo e alma apaixonado por você e ainda assim consigo te machucar. Causar-lhe dores de cabeça, cansaço, chateação. Assim, sou como aqueles que abomino. Sou idem aqueles que desprezo, os mesmos que te fazem chorar. Como posso? É o que pergunto sempre. Como posso ser assim? Tenho medo de mim, medo do ser obscuro que habita as profundidades de mim. Na verdade, nem sei se habita tão profundo assim. Se posso fazer mal a pessoa que é as quatro estações para mim, do que mais sou capaz? Temo, infinitamente, a resposta. Ao te olhar todo o meu corpo te quer, quando fecho os olhos é você que vejo. Quando sonho também. Minha vida é você. Me sinto cafona declarando-me assim, mas o que importa? O amor é cafona, é brega. Mas, como dizem, é lindo. Eu luto com todas as minhas forças para ser o homem que você precisa, cuidar de você da maneira que você merece e lhe oferecer as estrelas, as águas do mar, a terra que dá fruto, a Amazônia inteira. O universo. É do seu lado que me sinto completo, que alcanço a plenitude na minha vida e é triste que em alguns momentos eu não perceba isso. Me desculpe. As vezes me pergunto se sou mesmo uma boa companhia para você? Se você não deveria buscar alguém melhor? Alguém pronto para te amar e te dar tudo do qual você é merecedor? Eu não passo de um simples ser humano que erra, cai, fraqueja, mas é completamente louco por você. Eu posso ter o mundo aos meus pés, mas de nada valerá se você não estiver ao meu lado. O meu mundo não gira sem você. O céu não brilha. O Sol não nasce e nem a Lua. As flores morrem e os animais também. Eu não existo sem você. Por isso vou descer este monte e te fazer, eu prometo, a pessoa mais importante de toda esta vida. E, quem sabe, das outras também. Te amo”.

    E o jovem desceu, cuidadosamente, com a carta dobrada e guardada no bolso.



    Escrito por MASC às 02h11
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    Me deletando

    Mais uma vez cantei uma música que não é a minha. Nem feita pra mim. Nunca consigo manter-me, somente, na platéia. Tenho que subir no palco e intrometer-me. Nem adianta dizer NUNCA MAIS FAÇO ISSO, porque mais cedo ou mais tarde aqui estarei eu de novo. É, me deletando novamente.

    Agora devo confessar, não pra você ou qualquer outro, mas para mim, que é impossível compreender certas coisas. Coisas que acontecem comigo. Será que sou eu? Ou ele? Ou ela? Acho que nunca vou saber as respostas.

    Ta chovendo lá fora. Talvez os céus tenham se sensibilizado conosco. Sei lá. O tempo, agora, parece triste e frio. Posso ouvir trovões e sentir aquela coisa de que ta tudo errado. Faz alguma coisa, eu posso ouvir os deuses dizendo. Mas, eu sei e todo mundo, o orgulho é foda. E é mesmo. Agora eu acho muito injusto eu ter que fazer alguma coisa, já que na verdade fui eu que me ferrei. Isso mesmo, a vítima. Tudo bem, eu lembro que me meti aonde não devia. E isso me condena. Não posso e não devo reclamar de nada.

    Uma hora ta tudo bem. Compramos DVDs e livros, lanchamos, rimos, compramos, também, ingressos para o teatro. E de repente uma sombra cheirando a cerveja vem e destrói tudo. A culpa é dela? Isso eu posso responder. NÃO. A culpa é minha e dele também, é claro. A gente é fraco mesmo. Ou só eu. A sombra maldita, na verdade, nem sabe o estrago que causou. Filha da puta. E eu faço questão de xingar mesmo. Quero exorcizar esta dor, esta angústia que quer me devorar. Sai. Sai de dentro de mim e vai ferrar outra pessoa, não eu.

    Não adianta fingir dormir, nem fingir ignorar o que nos acontece. O lance é instigar, provocar, desabafar, xingar...Até deletarmos esta porra de dor de dentro da gente.

    O meu deletar não apaga palavras, as cria. Como já disso e repito, através delas tudo de ruim vai saindo. As vezes rápido, as vezes bem devagar. Agora, vai me deixando na velocidade de uma internet comum. Na conexão média, eu diria.

    Escrevo para me libertar, para depois da nuvem negra ter passado eu ler tudo de novo e tentar entender que força foi essa que me devorou. Nem sei se funciona, ainda não tentei isso. Pensei agora.

    Enfim, acho que não tenho mais o que dizer. Vou ficar aqui tentando curar isso e salvar um pouco desta noite. Se der deu, senão...Sinto muito.

    Voltando...Tá foda. É, as vezes é bem difícil. Mas a gente vai tentando. Para não perder o costume...NÃO VOU FAZER MAIS ISSO. E desta vez é pra valer. Tá bom!

     

     



    Escrito por MASC às 00h07
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    O Rio que Transbordou em Mim

    Eu tive que parar, sentar e sentir.

    Diante do horizonte a paz me engoliu. Enquanto pequenos grãos de areia arranham minha pele, o vento a acaricia. Sensação sublime. Caminho sem horas, sem interrupção. À salvo de tudo e de todos.

    O perfume do mar penetra o meu corpo e ele fica cheio. Repleto por esta essência que vem da natureza. Motoristas, ciclistas e skatistas. O som das águas embala o momento, os corpos completam a paisagem, o céu, límpido, sorri para mim e as montanhas me chamam. Querem que eu vá viver com elas. Me alimentarão. Me protegerão. Me acalentarão. Com elas, as montanhas gritam, estarei conectado com este universo paradisíaco. Estou enormemente feliz. Estou inalcançável, inabalável. Livre, leve e liberto.

    Mas o mundo não para e vou me despedindo deste Rio que é maravilhoso. E é neste Rio que quero viver. Não ir embora jamais.

    O vento forte não me deixa ir, enquanto as ondas exibem-se para mim. Estou encharcado destas águas, completo destas nuvens e deste céu. Estou completo deste tudo. Vento me leva embora. Me leva embora pra dentro disso tudo.

      A neblina começa a esconder o pico das montanhas. As nuvens vão se movendo e eu aqui fascinado. Quero ser como estes pombos, que brincam na areia e sobrevoam este infinito de mar. O Sol vai indo embora e me presenteia com este fim de tarde mágico.

    Aqui eu me esqueço de tudo, sou só calmaria. Maresia.

    Até mais, meu momento. Eu volto!

    PS: meus óculos quase se renderam e foram embora com o vento.

     

     

     



    Escrito por MASC às 23h13
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    Naquele Ônibus sem Você

    Sem você aqui..

    Cerrados meus olhos preferem estar. Não escuto nada. Um voz. Uma música. Nada. Minha boca emudece, seca e morrem todas as palavras. Nenhum cheiro sinto. Nem odor, nem perfume. Meus braços pendem entristecidos. Minhas mãos frias se unem em consideração. Meu sexo inerte. Pernas desfalecidas. Pés mortos.

    Sem você aqui...

    Minha mente esvazia. Oca. Meu sangue não flui. Não aquece. Minha garganta endurece e um nó, forte e doloroso, é dado bem ali. A saliva não desce e evapora em revolta. Meus dentes amolecem, como os de uma criança. Meu corpo, indignado, para.

    Entenda, sem você meu coração se recusa a bater.



    Escrito por MASC às 23h26
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    Engraçada? A vida? Não sei, não.

    E o mundo já acordou errado. Provoca, trama, debocha dos fracos que somos.

    Ainda não estamos rocha. Ainda não estamos cheios. Um tombo após o outro, em tempo tão veloz, não nos dá ânimo para acontecer.

    Cegos, surdos e mudos padecemos nesse paraíso infernal.

    A voz me escapou, mas as palavras, sempre elas, vão germinando e ganhando vida nas páginas deste caderno.

    Escrever é terapêutico. Filtra o que há de bom e elima tudo que é sujo. Estou ficando vazio.



    Escrito por MASC às 23h20
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    Meu Sertão Inundado

    Meu corpo secou. Nem mais uma gota. Já não posso saltar, nem afogar-me. Acabar. Viver é o que me resta, é a minha sentença.

    E das profundezas do mar, emergi. Vivo.



    Escrito por MASC às 23h16
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    Oceano

    Nenhum som. Nenhuma voz. Nenhum ruído. Nada. Só o silêncio.

    Meus pensamentos loucos, desvairados. Bringando para não ser eu. Malditas vozes dentro de mim. Sim, vou enlouquecendo segundo após segundo. As portas se abrem e eu insisto em trancá-las. Caminhos surgem diante de mim e permaneço imóvel. Não me existe terra à vista. Só o meu barco à deriva, perdido no oceano de mim.



    Escrito por MASC às 23h14
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    A Caverna em Mim

    Quero correr até o fim do mundo, enfiar-me na caverna mais escura, úmida e esquecida deste planeta imundo. E com a cruel solidão e, também, com as vozes na minha cabeça viver e morrer.

    Nada tenho de bom à oferecer. Nada é o que sou. No meu ser só o vazio e a penumbra. Nem sei se em mim bate um coração. Se funciona um órgão sequer.

    Meu corpo é oco. Não sou nada mais que uma carcaça velha e suja.

    E no coração do oceano afundei pela última vez.



    Escrito por MASC às 23h11
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    Dores

    Vou me revirando, me torcendo. Que meus ossos quebrem! Que o sangue podre das minhas veias brote dos meus poros, inunde e me afogue.

    Meus gritos silenciosos ecoam alto e sofrido. Minha pele quente, avermelhada cai sobre o chão gelado e assim nascem as palavras.

    Vontades indo embora junto às minhas lágrimas, neste pranto que não lava nem alivia, só dói. Mais e mais.

    E da beira do abismo, saltei.



    Escrito por MASC às 23h06
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    Naquele momento, Naquele instante

    Nossa, tem um turbilhão de sensações inundando meu corpo inteiro. Pensar fazer parte da vida de alguém, carregar o mesmo sangue e ser, na verdade, um estranho. Um homem do qual nada sei e nem imagino. E nem sei se quero.

    Um cara que age com proximidade e intimidade, quando nada sabe também. Será que lhe habita as mesmas dúvidas? Os mesmos medos? Planejo mil frases, penso em mil palavras...E tudo muda.

    Uma noite estranha, inimaginável a qualquer ser vivo. Momentos passados, dias de ontem, sonhos espatifados. Ainda não há segurança, plena confiança, mas o passo foi dado. Unir ou destruir de vez. Não se pode esquecer, mas devemos seguir em frente. Lembrando que mentir não é, nem de longe, o pior defeito meu ou de qualquer alguém.

    Hoje, alguns dias depois, tudo não passou de nada.



    Escrito por MASC às 16h48
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    Ele sou eu e Eu sou ele

    Na escuridão percorri durante anos e anos. Sozinho no deserto mais quente, perdido no fim do mundo mais gélido. Chorei por dias e noites até meu corpo virar sertão. Gritei aos quatro cantos do mundo e só houve eco. E foi em meio a uma tempestade de areia que sucumbi e sem mover um pedaço de mim, me rendi.

    Caído, um forte brilho, vindo não sei de onde, ofuscou minha visão. Um calor, brotando do coração da terra, tomou conta de mim e aqueceu todo o meu interior. Fui erguido por uma força desconhecida, que tomou-me nos braços e me levou embora.

    Hoje, no oásis da nossa vida, somos unidos em um. Corpo, corpo. Alma, alma. Corações e mentes em perfeita conexão.

    Todo o meu ser agradece e ama, cada vez mais, este ser, fonte de luz intensa e verdadeira, que alumia toda a minha existência.



    Escrito por MASC às 22h56
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    Palavras do Meu Amor

    Como eu, é difícil

    Sou confuso, e não sei nem o porquê está nesse mundo confuso, à confusão da minha cabeça se confundi com o barulho externo que me distrai, mas incomoda, não sei se to aqui ou ali, se presto atenção ou ignoro, minha cabeça dói, mas é suportável, dedos deletando, dedos coçando, musica para meus ouvidos, vozes vorazes, gosto ou não gosto, apenas uma parte me agrada, perco a paciência, confusão de mentes e vozes, dupla vida, a  minha volta quero escrever não sei o que, vou me encostar, pernas dormentes cruzadas, descruzadas, olhos cansados, sem motivo aparente, apenas cansados, por estarem abertos e porque vêem tantas coisas que concordo, sim concordo, pois não faço tudo para mudar situações confusas como eu, é difícil entender a si  mesmo, cansado de nada, esse é meu problema, apenas quero navegar através da minha mente e me inspirar sem parar nenhum segundo de pensar como será, amanha será ou não será, será pois sempre será alguma coisa depende do lado que isso aconteça, madrugada, boa noite!

    Por CK BRANT



    Escrito por MASC às 18h08
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    Nosso Quê a Mais

    Certa vez uma amiga indagou o fato de eu ser um cara gay, nascido em uma família conservadora e preconceituosa (porque, acredito, conservadorismo nada tem a ver com preconceito) e saí ileso disso. Tornando-me um homem responsável e muito bem resolvido sobre minha sexualidade. A resposta? Eu ainda vou tentando explicar.

    É certo dizer que todo homossexual tem uma força a mais. Um quê a mais. Somos meninos entre meninos que adoram jogar bola, brincar de carrinho e bonecos de ação. E nós não. Somos adolescentes solitários e buscamos um relacionamento legal e divertido, o que é difícil de encontrar e logo somos empurrados para o sexo marginal (ah, isso eu explico depois). E então a gente resiste a tudo e cresce. Amadurece e acha que chegou à hora de abrir o jogo para família, amigos e o mundo. E um susto...

    Logo notamos que mergulhamos de cabeça em uma sociedade hostil, onde habitam piranhas e tubarões ferozes. E temos que sobreviver.

    Devemos ser fortes, enfrentando o mundo inteiro para termos o direito de sermos nós mesmos. Lutamos pelo direito de amar o outro, de sermos respeitados, de podermos demonstrar nosso afeto e carinho onde quer que estejamos. E para isso precisamos fazer das tripas coração, arrancar do mais profundo interior coragem e otimismo para seguirmos em frente.

    Mas não somos amargos, não. Muito pelo contrário. Gostamos de quebrar regras, derrubar muralhas e sermos vitoriosos. Afinal, quem não gosta de ser vencedor. E nós somos.



    Escrito por MASC às 18h00
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    Pedaços de Mim

    "Ser você, não eles. Ser você e só".

    "E quero vencer as quedas do meu interior. Elevá-lo e ser completo".

    "Minha intensidade evapora pelos meus poros e se espalha por tudo ao meu redor".



    Escrito por MASC às 23h08
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    22:59:08 - 22:59:09

    Tento entender a força que derruba meu corpo do mais alto monte, trazendo-o para o mais profundo e escuro oceano. No qual cai inerte. Desfalecido.

    Lá, ainda consigo sentir os vestígios do último sorriso. Graça que embelezava esta face, que agora dói contorcida de angústia e medo. Aquela terrível sensação de que o Sol desabou e espatifou-se em mil pedaços pela Terra, pedaços que dilaceram minha pele.

    Bufões de ar e irritados pensamentos implorando para tornaram-se palavras. De dor ou não.

    E eu busco e luto no meu refúgio, no meu canto escondido. O local em que ainda existo aqui dentro.



    Escrito por MASC às 23h06
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    Socando Travesseiros

    Pais...Ainda não sei se foi bom tê-los ou não. Por eles, tive que pagar um preço. Alto, eu acho.

    Meu pai ("meu" é só uma força de expressão) nunca foi mais do que um simples conhecido. Um cara cheio de pêlo que me visitava a cada ano bissexto. De quem nunca recebi um carinho, um afeto, um conselho. Pelo menos nenhum que prestasse. Quando conseguia me enxergar na multidão se aproximava com aquele jeito de paizão (jeito irritante, que odeio). Fazendo o grande amigo, confidente leal. Vomitando palavras forçadas e ensaiadas que não diziam nada. Seus abraços, todos sempre cru, sorrisos forjados e olhar desinteressado. E, é claro, no fundo acreditando que me enganava. Tolo. E assim foi e é e será. Estou certo disso.

    A outra. Sim, a outra. Mamãe.

    Uma menininha solitária que insiste em existir dentro da mulher amargurada, infeliz e preconceituosa. Ambas apostaram em mim todos os sonhos e ideais próprios. Um querer que não é meu. A mulher que me gerou, educou, amou, não fez nada mais do que preparar um ser para satisfazer todas as suas vontades, todas as suas frustrações. Jogando sobre mim mais que a responsabilidade de ser filho. Porém de ser tudo, de ser a razão pela qual ela ainda estar neste mundo. Sei que pode parecer poético, mas só meu interior reconhece a dor de representar o que represento.

    Não sei se corro, se fico ou se morro.



    Escrito por MASC às 22h44
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    Uma vida? A Minha.

    No meu mundo...

    Histórias inventadas, filmadas, escritas. Estantes de personagens inesquecíveis e histórias de amor, realidade e morte. No outro canto, som. Melodias e vozes, me trazendo alguma coisa...Coisa que não consigo definir. Nas mãos a possibilidade de dar vida, de ultrapassar barreiras com minha escrita. Ao lado, aquele que faz tudo valer a pena e por ele sigo e bem pertinho, a princesa do meu castelo de vida.



    Escrito por MASC às 18h10
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    MásCaras

    Dia de festa. Qualquer dia, festa!

    De algum ponto, de dentro ou até mesmo de fora do planeta, brota uma necessidade de ser alegre e satisfeito. Uma pressão que exige agradecimento e sorrisos mascarados. Uma felicidade que deve exister, eu querendo ou não. Eu não sou assim e não quero ser.

    Quero alegria permanente. Gargalhadas que brotem do ser e alegrem tudo, lágrimas que lavem minha alma e levem embora, diferente das ondas, para sempre. Sentimentos reais e intensos, únicos na minha vida. E, acredite, na sua também.

    No meu dia, no meu momento, busco silêncio e introspecção. Águas tranquilas correndo pelo meu ser, tomando corpo e membros. E isso, na realidade, é impossível. Já que as pessoas, todas bem intencionadas (eu sei), não permitem. Tá, o inferno está cheio de blá blá blá. Mas não penso nisso.

    Quero intensidade, verdade e vida. Mesmo tendo aprendido, e concordo, com a Maitê que nos diz: "Há de ser ter respeito com a mentira". E eu tenho.



    Escrito por MASC às 18h01
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